terça-feira, 6 de outubro de 2020

Eu odeio. Eu amo.

Quem já teve uma experiência controversa desse tipo?

Fui muito bem recebida em um país estrangeiro, por pessoas que não conhecia, mas que me receberam como se fosse da família. Durante o jantar de recepção, muito bem servido, que por sinal, me deram uma especiaria local muito apreciada por eles. Eu já havia experimentado em outra ocasião, mas fazia muito tempo, então decidi entrar na brincadeira dos anfitriões e “passar o dedo no potinho e lamber”, como se fosse creme de avelã. Arg! Reafirmei minhas lembranças antigas: Eu odiava aquilo! Que cheiro forte, que gosto ruim! Foi horrível, mas engraçado.

Por lá fiquei por duas semanas. Em respeito aos costumes e, claro, testando a mim mesma, tentei recomeçar minha aproximação com a especiaria gradualmente. Uma finíssima camada na torrada, depois uma camada um pouco mais grossa, até me apaixonar pelo sabor.

Na volta para casa, resolvi comprar algumas unidades (não muitas né, pois a mala estava bemmm cheia já), pensando em manter a especiaria na minha panqueca matinal de ovos com aveia – nossa, que delícia! só de lembrar, dá água na boca – e pensando em presentear um amigo que também gostava muito. Com a correria do dia-a-dia, demorei muito para reencontrar esse amigo que seria presenteado, enquanto isso, o meu estoque acabou. Meu amigo, me perdoe, mas eu comi o seu presente. Com muito gosto. Bom, até hoje ele não sabe que deveria ganhar um, e acredito que nunca saberá.

É interessante. No prazo de 15 dias, mudei do “eu odeio” para o “eu amo”. Enquanto eu estava na fase do eu odeio, eu conseguia convencer qualquer um de que “aquilo” era horrível. Todos os adjetivos possíveis eram utilizados. Em um prazo bem curto, minha lista de adjetivos mudou drasticamente – passei a usar os respectivos antônimos. Na real, não me interessa se eu fui induzida para isso ou se eu me acostumei com o sabor, o que eu quero chamar a atenção aqui é o quanto erramos ao julgar algo ou alguém, mesmo se estivermos convencidos de que estamos certos. Afinal, o que é certo e o que é errado?




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