sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Rompendo paradigmas

Quando se vive uma experiência de corpo e alma, todos os detalhes interessam. E, claro, tudo é registrado em fotos! Eu estava a caminho da cidade, no ônibus. Quando eu entrei, a maioria dessas pessoas já estavam sentadas. Eu gosto de observar e, como todo ser humano, tiro minhas conclusões (achamos que sabemos de tudo, não é?). Mas, nem sempre estamos certos, por mais que possa parecer óbvio.

Em um determinado ponto, alguém pede para parar e vejo que o rapaz de bermuda se levanta. A partir de minhas observações e meu raciocínio lógico, acompanho o rapaz para a frente do ônibus, pegando o seu skate e descendo. Porém, eu estava errada! O rapaz desce do ônibus, e o skate fica! Caraca! Como assim! Estava tão óbvio! (desculpe o monte de exclamações, queria dar ênfase). Então colei os olhos no skate – agora eu quero ver de quem é. Foi quando, para minha surpresa, o homem de terno e calça social se levanta, pega o seu skate e desce. Uau! Para mim, foi uma quebra de paradigma legal e inesperada.

Aliás, esses 5 meses de experiência foram ótimos para isso. Na Austrália, vi uma piscina pública, ao lado de uma praia artificial, abertas, no meio de uma cidade grande, sem cercas ou policiais. Limpas, organizadas, sem tumulto, sem abusos. Bebedouro com água gelada, liberado. E inteiro! Ouvi do meu anfitrião, numa praia (de verdade) linda e movimentada, “Deixa sua mochila na areia. Vamos entrar na água.” Como assim? Meu passaporte, meu dinheiro estavam lá. Aluguei um armário e, claro, fui obrigada a ouvir gozação dele e de sua família!

Voltando para o ônibus, este na Nova Zelândia. Quem me disse que um homem de roupa social, não poderia andar de skate? Quem me disse que, entre um calçado duro e bonito, e outro confortável mas sem graça, eu tenho que escolher o duro? Pode ser que ninguém me disse isso, não diretamente. Mas nos deixamos envolver e influenciar pelo meio em que vivemos. Olhamos ao redor e imaginamos o que é normal e o que não é normal, dentro da realidade em que vivemos. E esperamos que as outras pessoas sigam o nosso normal, senão podemos chama-las de “estranhas”, “loucas” ou “sem noção”.

Mas, sabe o que é muito louco nisso tudo? Se você observar, sem o olhar viciado do seu normal, pode ser que você passe a aceitar a nova situação como um novo normal. Ou, se você trabalhar sua cabeça com a ideia de que o normal não existe, o que existe são os limites que você cria, você pode ver a nova situação apenas como uma situação. Nada mais.



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