Aproximadamente 12 mil quilômetros de distância entre as duas fotos. Literalmente, uma foi tirada do lado oposto da outra no globo terrestre. Porém, as duas Luas desencadearam a mesma reação, de admiração.
Na primeira foto, havíamos acabado de chegar em Copacabana.
Era 2017, e fomos com inúmeras recomendações: “Tomem cuidado”, “Cuidado com
seus pertences”. Chegamos, confesso que um tanto tensos. Nos instalamos e fomos
caminhar. Ao nos depararmos com a orla de Copacabana, uma Lua imensa, linda,
majestosa. Atravessamos a avenida como crianças atrás da bola, e
automaticamente tirando os celulares dos “esconderijos”, ignorando todas as
recomendações. Nada mais importava, tínhamos que tirar foto dela, registrar
aquela imagem. Dava para sentir a energia que ela emanava. O seu brilho sob a
pele parecia uma capa protetora e revigorante – estávamos seguros sob a Lua.
Que momento mágico!
Na segunda foto, fui apresentar a praia de Takapuna para uns
amigos. Era 2019, e a sensação foi a mesma. Estávamos enfeitiçados pela Lua.
Quanta energia, quanta luz, quanta beleza. Com as águas calmas o seu reflexo
parecia rasgar o mar, abrindo caminho para a ilha da Rangitoto ao fundo. Que
imagem! Tão absortos pela Lua, que minha amiga esqueceu a capa da lente da
câmera na areia.
Não vou me cansar de comentar o quanto a natureza me
surpreende. O quanto eu respeito e admiro a natureza. Seja a Lua, um pássaro ou
o som das folhas da árvore ao vento. É difícil imaginar que algumas pessoas não
conseguem ver o capricho da natureza. E quando eu digo ver, não quero dizer com
os olhos apenas. Eu digo “ver” com os ouvidos, “ver” com a pele, “ver” o
cheiro, “ver” com a alma. Às vezes eu “viajo” “vendo” a natureza. Lembro que
quando era bem mais jovem, eu passava horas no quintal dos fundos de casa. Uns
600 metros quadrados com três árvores e algumas coisas plantadas – algumas
delas os passarinhos se encarregaram de semear. Eu passava horas sentada em um
banquinho, “vendo” aquilo tudo. Silêncio absoluto. O que eu pensava naquele
momento? Sei lá. Nem sei dizer se pensava em algo. Acho que apenas “via”. E
você, costuma “ver” muito? Pois exercite, você pode se espantar com o que
podemos ver além dos olhos.

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