Quando se vive uma experiência de
corpo e alma, todos os detalhes interessam. E, claro, tudo é registrado em
fotos! Eu estava a caminho da cidade, no ônibus. Quando eu entrei, a maioria
dessas pessoas já estavam sentadas. Eu gosto de observar e, como todo ser
humano, tiro minhas conclusões (achamos que sabemos de tudo, não é?). Mas, nem
sempre estamos certos, por mais que possa parecer óbvio.
Em um determinado ponto, alguém
pede para parar e vejo que o rapaz de bermuda se levanta. A partir de minhas
observações e meu raciocínio lógico, acompanho o rapaz para a frente do ônibus,
pegando o seu skate e descendo. Porém, eu estava errada! O rapaz desce do
ônibus, e o skate fica! Caraca! Como assim! Estava tão óbvio! (desculpe o monte
de exclamações, queria dar ênfase). Então colei os olhos no skate – agora eu
quero ver de quem é. Foi quando, para minha surpresa, o homem de terno e calça
social se levanta, pega o seu skate e desce. Uau! Para mim, foi uma quebra de
paradigma legal e inesperada.
Aliás, esses 5 meses de
experiência foram ótimos para isso. Na Austrália, vi uma piscina pública, ao
lado de uma praia artificial, abertas, no meio de uma cidade grande, sem cercas
ou policiais. Limpas, organizadas, sem tumulto, sem abusos. Bebedouro com água
gelada, liberado. E inteiro! Ouvi do meu anfitrião, numa praia (de verdade) linda
e movimentada, “Deixa sua mochila na areia. Vamos entrar na água.” Como assim?
Meu passaporte, meu dinheiro estavam lá. Aluguei um armário e, claro, fui
obrigada a ouvir gozação dele e de sua família!
Voltando para o ônibus, este na
Nova Zelândia. Quem me disse que um homem de roupa social, não poderia andar de
skate? Quem me disse que, entre um calçado duro e bonito, e outro confortável
mas sem graça, eu tenho que escolher o duro? Pode ser que ninguém me disse
isso, não diretamente. Mas nos deixamos envolver e influenciar pelo meio em que
vivemos. Olhamos ao redor e imaginamos o que é normal e o que não é normal,
dentro da realidade em que vivemos. E esperamos que as outras pessoas sigam o
nosso normal, senão podemos chama-las de “estranhas”, “loucas” ou “sem noção”.
Mas, sabe o que é muito louco nisso tudo? Se você observar, sem o olhar viciado do seu normal, pode ser que você passe a aceitar a nova situação como um novo normal. Ou, se você trabalhar sua cabeça com a ideia de que o normal não existe, o que existe são os limites que você cria, você pode ver a nova situação apenas como uma situação. Nada mais.



